O Cheiro das Castanhas

Quando eu era criança e passeava na Baixa de Lisboa com a minha mãe, havia um tempo em que costumávamos encontrar aquele senhor simpático, de pele dourada a desafiar os dias de chuva, junto ao carrinho donde saía um fumo confortável de aroma quase doce. Era o tempo das castanhas.

Havia nesse encontro qualquer coisa especial, que ia para lá das saborosas castanhas que nos queimavam a boca com a nossa permissão. No meio do adeus à praia e ao Sol, do regresso aos dias muito iguais e com tarefas para cumprir, aquele ritual, que nós tínhamos consciência de pertencer apenas a um pedaço do ano, era uma quase-mensagem que nos dava as boas-vindas a novos dias. Um presente que se renovava a cada chegada do outono.

Enquanto pudermos sentir o cheiro das castanhas, sabemos que nem tudo mudou com o passar do tempo.

O cheiro das castanhas