Praia de Outono

Não era dia de praia. Estávamos no Outono, algumas nuvens já andavam por aí, os nadadores-salvadores tinham ido de férias e o areal transformara-se num deserto. 

Mas era dia de estar perto do mar e sentir o cheiro a sal.

Com uma sombrinha quase japonesa, as gémeas D. Milu e D. Alice sentaram-se na praia a pescar raios de Sol. 

O que levavam dentro daquele malão que servia de banco de jardim? Ora, muita coisa. Ora, tudo. Toalhinha para o piquenique do almoço, pão de sementes com abacate, maçãs reineta cortadas aos pedaços e chá de hortelã numa garrafa térmica, para compensar a frescura da brisa do mar; duas revistas de sopa de letras, lápis e borracha, os telemóveis que tencionavam não atender, dois casaquinhos de malha e uma manta de forro polar.

Eram assim as tardes de Outono da D. Milu e da D. Alice.

Poucas pessoas as compreendiam. Ainda menos as acompanhavam. Mas elas não queriam saber dessa regra invisível segundo a qual a praia fecha com o fim do verão.

A Batata Quente entrará de férias em Julho e vai regressar em Setembro.