Capítulo 6

Resultara! O menino guardava agora dez moedas de ouro em cada um dos seus bolsos e tinha poderes no mínimo… estranhos! Mas era os que havia desejado. Custódio dava saltos semelhantes aos de um sapo e iria realizar o seu sonho de pousar em cada árvore da floresta, junto à sua cidade, onde tantas vezes se refugiava. Ah, saltar de ramo em ramo, ver as flores e saborear os frutos, aproximar-se dos pássaros e de outros animais, viver a floresta da forma que sempre fantasiara e que até àquele momento lhe tinha parecido inalcançável.

Tinha 24 horas.

Mas atenção: nesse espaço de tempo não se podia esquecer de cumprir a promessa que fizera ao senhor da cartola. Custódio teria de atacar fortemente o ladrão que durante a noite aterrorizava a cidade e deixava todos em sobressalto. Como? O plano era simples: largar sobre os olhos do larápio a peçonha, esse líquido venenoso que os sapos segregam. Só assim se poderia impedir o malvado homem de fugir numa correria desalmada, correria essa que até à data tinha impossibilitado qualquer alma – mesmo a alma de um polícia – de o apanhar.

“Vamos por partes”, pensou Custódio. “Agora que o dia está a começar, vou andar na floresta. Quando o Sol se for embora, entrarei em ação na cidade.”  

(Continua na Quinta-feira, 14 de Maio)