Capítulo 8

– Apanhadooooo!!! – gritou o menino Custódio, após uma perseguição que lhe valeu mil voltas pela cidade.

– Rapaz, porque me tratas assim? – O homem mostrava-se genuinamente assustado e surpreendido.

            O menino Custódio, com a inexperiência própria da idade, ficou subitamente sem forças para saltar e agredir o desconhecido. “Tudo estragado”, pensou. Mas era mais forte do que ele.

            – Quem é o senhor?

            – Pergunta antes quem era eu… quem fui eu em tempos. Um mágico a quem foi roubada toda a sua magia, todas as suas poções e experiências, todos os seus estudos e descobertas. E que agora, enquanto começo de novo, numa gruta escondida aqui na floresta, apenas vou à cidade buscar alguma coisa para comer…

– Buscar… quer dizer… roubar! 

– Não posso morrer à fome. Não farias tu o mesmo para sobreviver? – O senhor pôs algum ânimo no rosto. – Um dia recompensarei aqueles a quem fiz mal. Já faltou mais para recuperar os meus poderes e reaver tudo o que o homem da cartola me roubou. 

Ao ouvir isto, o menino Custódio sentiu as suas pernas de sapo a tremer.