Sempre que apanhava o comboio que a levava para a terra do avô, a Rita sentia que estava a entrar dentro de um brinquedo. O movimento das carruagens dava-lhe a sensação de um perigo confortável; a paisagem que corria lá fora e se desvanecia em menos de um segundo lembrava-lhe o acordar de um sonho; e aquelas pessoas desconhecidas, ali à sua volta, com bagagens de todas as cores e feitios, lembravam-lhe um planeta diferente ou, pelo menos, pessoas diferentes da rua onde vivia.

Por isso é que as férias começavam no exato segundo em que a Rita subia os degraus da carruagem e só terminavam quando deles descia, já no regresso. Aquelas duas viagens de comboio eram o início e o fim. E o tempo vivido entretanto era magia.