Capítulo 1

Estavam quase a chegar. Mas depois de tantos dias já nem sobravam forças para comemorar o fim da viagem.

Tinham visto o Sol e a chuva, a neve e o orvalho. Tinham sentido e escutado o vento frio e o vento quente. A música e o silêncio haviam sido companheiros de caminhada.

– Já aconteceu tudo. Agora só falta mesmo entrar. – Foram estas as últimas palavras escutadas antes de se avistar, mesmo no final da estrada de terra, um largo portão verde que prometia ir lá ter. 

Capítulo 3

Encostaram os nós dos dedos à porta e entreolharam-se os quatro, na expectativa de ver quem daria início à próxima etapa. A respiração ofegante não abrandava: atravessar a ponte movediça não tinha sido fácil e o medo do que agora os esperava ressentia-se no ritmo do coração.

Mas não foi preciso bater. Uma voz surgiu do outro lado:

– Sejam bem-vindos. A porta está aberta.

Entraram. Tudo como tinham imaginado. Iam finalmente conhecê-la e saber o que estava escrito no Grande Livro das Cores.

Capítulo 5

– Que se passa? – perguntou um dos rapazes, em tom de desabafo.

– Nós não sabemos voar. Assim não podemos alcançar o livro! – informou outro, que era tido como mais pateta.

Fez-se silêncio.

– Aguardava por sete – disse a senhora da biblioteca – Só vejo quatro. Como pensam atravessar as cores do arco-íris e carregar o tesouro? Onde estão as raparigas? E gentes de outras raças? Lamento, mas vamos ter de ficar por aqui.

Os quatro irmãos entreolharam-se. A senhora atirou-lhes com a mensagem.

– Aqui está o que enviei. Resistente à chuva, ao calor, a tudo…

Voltaram a ler. Não havia dúvidas de que tinham falhado. Não se pode dizer que tinha sido com má intenção, mas a verdade é que haviam lido as regras com uma grande dose de distração, daquelas que às vezes permitem ler apenas o que se quer.

– E agora? – perguntaram?

Capítulo 7

Saíram apressados daquela casa, prometendo voltar.

Deixaram para trás o portão verde sem saber o que dizer uns aos outros e sentaram-se numa pedra grande que oferecia uma vista consoladora naquele fim de tarde, com o Sol a descansar sobre os montes. 

– Dois dias! – desabafou um dos irmãos – Dois dias não é nada…

– Calma. Estamos a lidar com uma sábia. Se ela nos deu dois dias, é porque é possível encontrarmos uma solução nesse espaço de tempo – respondeu outro.

Nisto, um aguaceiro apanhou-os de surpresa. Pingas grossas mas suaves caíram durante uns minutos, e os quatro levaram a cara ao céu, procurando refrescar o corpo e as ideias.

Um arco-íris gigante apareceu do outro lado.

Ergueram-se então num salto, entreolharam-se e partiram em busca do que lhes havia sido pedido.

FIM